quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Apresentamos o livro 30 Poemas Capitais

30 Poemas Capitais por [Fidelix Nunes, Fernando, passos de barros, renato]



Gente, começamos o ano bem! É com imensa alegria que nós anunciamos o lançamento do primeiro livro do movimento A Pena Capital: 30 Poemas Capitais. Trata-se de uma antologia de poemas de Fernando Fidelix Nunes e Renato Rocha disponibilizada, primeiramente, em formato digital. O critério de escolha dos poemas do livro de estreia do movimento foi o da qualidade, ou seja, aquilo que consideramos o melhor da nossa produção poética até o momento. Os poemas, constituídos a partir de diversas técnicas estilísticas, retratam de forma singular alguns dos temas mais críticos desta década sem fugir de temas universais, como: o caos político e social (“política entre amigos”, “a pele das cidades” e “2018”), o abandono infantil (“Onde Andam os Pais?”), a desilusão amorosa (“amor trifásico” e “Primavera”) e a aguda crise existencial (“A Busca”, “joão caminha”, “Líquido Moderno”, “fotofobia” e “o equilibrista”). Sem dúvida, o melhor livro de poesia lançado desde o início do ano em Brasília =). Boa parte dos poemas já estão publicados neste blog e podem ser lidos à vontade na seção "poemas".
O nosso ebook está disponível no site da Amazon e pode ser adquirido no seguinte link:

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Diário: 9 de janeiro de 2012

(Ilustração feita por Enthony K. exclusivamente para este blog)

9 de janeiro de 2012.

O ano começou com dor de cabeça já. O Henrique e a Giovana já começaram a discutir por conta do namorado argentino dela. Ela disse que o namorado até comprou as passagens e que vai ficar na nossa casa. O Henrique disse que não vai ter ninguém na casa dele que ele não conhece nem confia. Ele sempre implicou com qualquer namorado da Giovana. Eu costumo tentar aliviar as coisas, mas nem sempre consegui. Dessa vez eu nem quero melhorar nada, acho que o Henrique está certo.

Em vez da minha filha estudar de verdade enquanto dá tempo, ela resolve ficar ouvindo música no quarto e falando com o namorado. Quando se é jovem, é possível mudar de vida, porque, quando a vida chega numa certa fase, não tem o que fazer além de lamentar a vida.

O Daniel e a Rayane estão muito bem. Resolveram até dar uma viajada para a Chapada neste fim de semana. Dizem que lá é muito bonito, mas até hoje eu não sei como é de verdade, só pelas fotos dos outros que eu conheço o lugar. O Henrique não gosta muito de sair para conhecer a natureza e eu acabo sem conhecer também.

Ando sentindo falta de ler o livro do Fernando Pessoa. Ele me fazia bem Acho que eu até escrevia melhor depois que eu lia uma de suas reflexões sobre a vida. A pessoa quando fica com a mente e o coração vazios não tem muito o que resolver e acaba fazendo e pensando bobagem. Acho que a melhor promessa de início de ano que eu posso fazer é pelo menos ler alguma coisa para ver se eu dou um exemplo para a minha filha que está fazendo um monte de bobagens.


(Esta é uma obra de ficção criada por Fernando Fidelix Nunes)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Desafio de se Combater o Racismo no Brasil no Século XXI

Olá a todos!

Hoje teremos mais uma estreia aqui na coluna Supernova! A estudante Isaely de Oliveira Laureano escreveu um excelente texto dissertativo-argumentativo na sua prova de Língua Portuguesa sobre o tema "O DESAFIO DE SE COMBATER O RACISMO NO BRASIL NO SÉCULO XXI". Com a sua autorização e de seus pais, transcrevi a sua redação, que só teve duas correções em relação à acentuação gráfica.

Os leitores perguntar-se-ão se foi realmente ela que citou uma frase do grande pesquisador Teun Van Dijk, isto é, se seu professor - Fernando Fidelix Nunes - não se intrometeu e colocou a frase para deixar o texto mais intelectualizado. Essa frase é oriunda de uma entrevista dada por Van Dijk para pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (disponível para download no seguinte link: periodicos.ufes.br/percursos/article/download/11626/8183). Inseri um trecho da entrevista que pudesse ser lido e compreendido pelos meus alunos de 9º ano do Ensino Fundamental na prova, inclusive havia uma pergunta sobre o porquê do uso da vírgula na frase "O racismo não é inato, mas aprendido" e o significado dessa frase. Dessa forma, ela conseguiu perceber que a frase de Van Dijk poderia ajudá-la bastante a construir sua argumentação. 

Muitos professores acreditam que inserir textos de grandes pesquisadores sobre temas complexos são impossíveis para os nossos adolescentes, devido à sua idade. Eu acredito que o uso de entrevistas de grandes pensadores pode ser muito importante para aproximar os alunos dos grandes pensadores do seu tempo. Por meio dessa estratégia, podemos construir debates mais interessantes nas práticas escolares, que precisam ser aperfeiçoadas com o objetivo de proporcionar aos nossos jovens um ambiente de aprendizagem mais efetivo e acolhedor.

Espero que aproveitem a leitura!



“O racismo não é inato, mas aprendido”. Esta frase é uma expressão usada por Teun Van Dijk para deixar bem claro que o racismo é e sempre foi ensinado.
Essa frase, ao ser analisada, quase automaticamente nos convida a repensar o que temos aprendido e ensinado. Segundo a frase de Van Dijk, se a sociedade do século XXI é racista, obviamente é porque foi ensinada a ser assim pelas outras gerações.
Nos últimos anos, muitas campanhas têm sido feitas tendo o combate ao racismo como tema, e é verdade que elas têm conscientizado muitas pessoas, mas não basta só a mídia, nós no nosso convívio, no que se refere ao nosso modo de agir, temos que investir mais em humanizar as pessoas.
É preciso ser levado em consideração que a família e o círculo de convívio de cada um têm muito mais influência na vida de alguém do que o que ela vê em cartazes ou assiste na televisão.
Sendo assim, precisamos saber de que formas temos influenciado as pessoas ao nosso redor: se com crueldade e preconceito ou com amor e inclusão. Se recebemos a má influência racista que era comum nas décadas passadas, é claro que jamais deveríamos reproduzi-la no tempo em que vivemos.
Devemos ter cuidado com o que falamos e com quais ideologias temos propagado, o racismo jamais pode ser uma delas. As próximas gerações espelharão o que fazemos na nossa. Devemos dizer não ao racismo e mostrar a cada vez mais que acima de cor e características físicas, estão o caráter e um coração que continua pulsando dentro de cada um, seja ele branco, preto, azul ou verde. As pessoas precisam saber olhar além do próprio complexo de superioridade racial e ver que por baixo dos tecidos somos de carne e ossos, todos iguais.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Diário: 3 de janeiro de 2012


(Ilustração feita por Enthony Kevin exclusivamente para este blog)


3 de janeiro de 2012.

Passei um tempo sem escrever porque eu resolvi reler o meu ano antes de escrever mais sobre a vida de “um novo tempo, que começou”. O Natal na casa da família da Rayane foi muito bom. Conhecemos os pais dela, Lúcia e Roberto, e o apartamento que eles têm na 404 sul. É desses que nem elevador tem. Deu um trabalho para subir aquelas escadas, mas foi bom para queimar a rabanada do fim de ano. De uma coisa eu gostei: me deixaram livre da cozinha. A Rayane falou que os pais dela faziam questão de fazerem tudo em casa mesmo. Claro que depois ficou bastante subentendido que o Henrique e eu devemos retribuir nestas férias. Na verdade, só eu porque o Henrique não vai fazer nada mesmo.
O apartamento deles tem três quartos, um para eles, um para a Rayane e outro para o irmão dela, chamado Luiz, um moleque de 17 anos que só sabe falar de vestibular. Conversou até bem com a Giovana, mas deu para perceber que ele sabe de mais coisa que a Giovana sobre vestibular. Até no Natal eu sinto vergonha da minha filha. Mas não tenho do que reclamar, pois comi bem e dei umas risadas à toa por aí. Sair de casa, para mim, é uma espécie de libertação da vida que levo. Mas não adianta nada sair e ver as mesmas pessoas sem graça de sempre e sentir o mesmo clima pesada.
Na casa dos pais da Rayane foi muito bom, mas na casa do Agenor e da Aurora foi muito ruim. Além daquelas pessoas chatas e sem graça, tive de aguentar a perturbação do William, que botou na cabeça que quer ser chamado de Alana. Como era Natal, as pessoas resolveram abraçá-lo por educação, mas todos fizeram questão de dizer William, só não a Giovana que fez questão de chamar de Alana. O abraço deles foi mais demorado também. Muito ruim ver a minha filha incentivando esse tipo de bobagem na cabeça de um menino perturbado. Eles foram (não consigo escrever elas) foram até para dentro da casa. A Giovana depois me contou que o William mostrou um monte de poemas dele que ele queria que fossem publicados por ela. Ela disse que gostou, mas acho que não deve ser tão bom assim, afinal a minha filha nem gosta de ler de verdade para saber o que é poesia boa e o que não é. A vida é cheia dessas coisas mesmo.
Agora ver o Henrique dando um jeito para ficar perto da Tereza foi muito ruim. Ele sempre se aproveitava quando eu estava ocupada com alguma coisa para falar com ela, chegar perto e “ajudar” em alguma coisa. No final eles não ficaram sozinhos nunca nem aconteceu nada. Mas me pareceu ser aquele tipo de nada que significa tudo na intimidade das pessoas. Esse tipo de coisa realmente é importante de se perceber e mudar. Eu já percebi, agora falta fazer a outra parte que é mais difícil.
O Ano Novo foi na casa de um amigo do Henrique. Muito ruim. Ia ser melhor ficar em casa, e fazer qualquer outra coisa. O Henrique escapou por pouco de uma blitz da polícia umas quatro da manhã. O nosso carro passou e o carro seguinte foi parado. Foi uma tremenda sorte. E, para fechar o começo de ano com tudo, o Henrique caiu na cama e dormiu. Só dormiu, não sei porque eu me surpreendo ainda com isso.
Olhar para frente agora é um grande desafio para mim. Só vejo problemas à minha frente. O negócio é ir aguentando os desafios e os vazios da vida. Ando meio desanimada para escrever. Talvez eu me anime mais durante o ano. Estranho, porque as pessoas costumam ser mais animadas no início do ano. Até falei com minha família, mas para mim isso não tem importância, não por agora.  

(Esta é uma obra de ficção criada por Fernando Fidelix Nunes)