sexta-feira, 30 de março de 2018

Diário: 20 de junho de 2011





20 de junho de 2011.

                Nada tem dado certo ultimamente comigo. A Giovana me olha com um olhar de desprezo, o Daniel quebrou o braço depois de uma noitada com o bonde de idiotas dele e o Henrique anda escondendo algo de mim. O meu marido atendeu dois telefonemas meio escondido de mim. Tá na cara que ele quer esconder algo. Eu também quero esconder que desconfio, mas não sei se faço isso bem.
                Eu conheço meu marido. Isso é mulher. Ele tem tido cada vez menos vontade de ficar comigo. Agora quem pode ser? Fico com a cabeça rodando essa pergunta e sofrendo com a minha possibilidade: Tereza. Essa mulher sempre assombrou os meus pensamentos. Eu deixei isso quieto por um tempo, mas essa ideia sempre volta para a minha cabeça com uma intensidade que eu não dou conta de controlar. Fico ofegante e acabo dentro do banheiro chorando para ninguém me ver. Só saio do banheiro quando eu me acalmo. O estranho é que, mesmo de tarde, quando eu costumo ficar sozinha em casa, eu fico no banheiro. Não chego a deitar no chão. Sento, me encosto na parede e escondo minhas lágrimas entre os meus braços e joelhos. Eu sei que isso é coisa de adolescente, mas é isso que eu faço. Diário serve pra isso: confessar o que nunca ninguém vai saber.
                Tudo bem que segunda é dia de uma nova semana, mas eu não queria essa semana para mim. Tem dias em que a gente não quer viver. Seria melhor simplesmente se pulasse uns 100 dias e tudo mudasse. Impossível mudar para pior. Tem gente que diz que pode piorar, mas eu duvido muito. De resto é ir vivendo e aguentando.

(Assim como todos os outros dias do Diário, este foi escrito por: Fernando Fidelix Nunes)

domingo, 25 de março de 2018

Proposta de redação: Fake News (Notícias Falsas)

Olá a todos!

Começaremos hoje a postar periodicamente propostas de redação no formato do Enem. Cada proposta de redação terá uma cota de redações que serão corrigidas GRATUITAMENTE. Que tal começar a se preparar desde agora?

Com base na leitura dos textos motivadores a seguir e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema OS IMPACTOS DAS NOTÍCIAS FALSAS (FAKE NEWS) NA SOCIEDADE BRASILEIRA DO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

As três primeiras redações postadas nos comentários serão corrigidas GRATUITAMENTE.

Textos motivadores


(feito por: Fernando Fidelix Nunes)

sexta-feira, 23 de março de 2018

Diário: 12 de junho



12 de junho de 2011.

                Inacreditável! Definitivamente este não é um país sério de verdade. Caiu na redação do vestibular da UnB a tal da variação linguística. O que passa na cabeça desse povo pra cair um tema desses? Tanta guerra, tanta mudança e tanto problema no mundo e eles vão escolher logo essa porcaria. A Giovana falou num tom extremamente desagradável. Fingi que não dei bola e não prolonguei a discussão. Não tem pra que discutir esse tipo de bobagem com ela. Eu só perco tempo com ela. Mas sabe como é... família a gente tem que ficar por perto sempre.
                O Henrique me deu de presente “surpresa” pelo dia dos namorados: uma rosa. Ele a tirou da rua, como é domingo, ele não tinha como comprar. Já até acostumei, então nem ligo mais com essas coisas. Mas o que aconteceu ontem me deixou angustiada. Um amigo do Henrique ligou aqui perguntando por ele. Disse que ele tinha saído e que quando voltasse eu avisava. Era pra ver um jogo. O problema é que o Henrique saiu dizendo que ia ver o jogo com esse amigo. Agora... por que ele resolveu mentir para mim? A minha cabeça às vezes sofre mais com hipóteses do que com a realidade. Sofremos mais com a imaginação do que com a razão. Nem consigo escrever direito com a minha cabeça presa nessa hipótese. Odeio ser feita de trouxa, ainda mais pelo meu marido.
                A vida é um imprevisto atrás do outro. Quando a gente pensa que a rotina é ruim, vem algo pior para quebrar também o nosso coração.

(escrito, assim como os outros dias do Diário, por Fernando Fidelix Nunes)

sexta-feira, 16 de março de 2018

Diário: 7 de junho de 2011




7 de junho de 2011.

                Hoje caiu um ministro: o Antônio Palloci renunciou. Deve ter sido medo de ser mandado embora pela “chefa”. Ele acha que o povo acredita que aumentou o patrimônio em 20 vezes sem fazer nada ilícito. Conta outra! Pelo menos essa vê alguém metido em algo errado e manda embora logo. O outro botava tudo em panos quentes e deixava rolar sem problema nenhum. Eles acham que é assim mesmo: fazem algo errado e ninguém vai atrás para investigar. Esse país está impregnado de gente suja no poder. Nunca investigam um engravatado. Agora vai o povo andar um pouquinho acima do limite de velocidade para ver o que acontece. E o que me deixa mais irritada é que esse povo é pego com a boca na botija e se faz de dissimulado. É “eu não sabia” pra cá e pra lá e com carinha de inocente vão enganando o povo trouxa até a próxima eleição.
                O mundo é assim mesmo: cheio de injustiças. Só que uns pagam pelos seus erros e outros têm seus erros pagos pelos outros. Nossa! Que ruim ficar repetindo “outros” na mesma frase. Se minha filha não fosse uma professora tão ruim, pedia a ela umas aulinhas para aprender a escrever melhor. Neste fim de semana vai ser o vestibular com a temível prova de redação. Ela, só pra ser do contra, falou que um dos cinco temas possíveis do vestibular é a tal da variação linguística, porque o pessoal da UnB conversou muito sobre o que a mídia chamou de escândalo do livro didático que ensina os alunos a falar e a escrever errado. Ela devia ter vergonha de ficar botando essas besteiras na cabeça dos alunos e ensinar português direito. Segundo ela, os alunos estão aprendendo a escrever melhor. Ela diz que eles estão animados e estão até tirando dúvida pela internet com ela. Eles devem ter aulas muito ruins para falarem tão bem da minha filha. Quero só ver quando sair um outro tema e ela ter que se explicar “é... não dá pra acertar sempre”. Nesse caminho, a educação não vai a lugar nenhum.
                O Daniel só tá andando com gente besta. Ele fechou a porta esses dias para ninguém ouvir ou prestar atenção no que ele fala, só que ele se esqueceu de que o som atravessa as paredes quando você fala alto. Uma vergonha! Ele estava rindo alto com a história de um amigo que ficou levando bolsada de uma mulher na frente do trabalho porque ela descobriu “os rolês do Carlota”. Em vez de ler um livro ou estudar para concurso, eu vejo o meu filho fazendo essas bobagens. Ele podia arrumar uma menina ajeitadinha para ver se tem alguma coisa nova. A vida é assim: apesar de nós sabermos o melhor caminho a seguir, caímos no caminho que nos leva para o inferno de nossas escolhas. Tudo pode ser diferente, basta querer e saber fazer. Essa rima ficou péssima! Mas é como a Conceição sempre diz: “homem usa a mulher pra se divertir, se não for pra sexo, é pra rir”.
                Sinto falta de escrever mais. No início do mês passado eu escrevia mais, só que o tempo vai diminuindo. É casa pra cuidar, roupa pra lavar, almoço pra preparar e o diário tem de esperar uma fugidinha minha. É tão bom escrever. Sinto como se a minha mente se libertasse da barreira da aflição. No mais é ir vivendo e aguentando o tranco.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Diário: 5 de junho de 2011




5 de junho de 2011.


                O almoço de hoje foi um fato raro. A família inteira estava reunida na casa espaçosa do seu Agenor e da minha “querida” sogra, dona Aurora. Os primos do Henrique estavam todos lá: Joana e Anderson, filhos da falecida Antônia e do falecido Reinaldo, tio do Henrique; Renato e Roger, filhos do Reginaldo e da falecida dona Maria – era uma senhorinha adorável.
                O Gustavo, filho do Dênis e da Joana, está muito bem. Fiquei sabendo que acabou de ser nomeado na Câmara dos Deputados para o cargo de técnico administrativo. Ninguém falou, mas ele vai ganhar grana o suficiente para o resto da vida. Na verdade, nem precisava falar nada disso. Ele contou que passou dois anos estudando de manhã e de tarde, cursinho pela manhã e à tarde revisava o conteúdo e fazia exercícios. Ele é um rapaz bem instruído e organizado, o que é a base dessa conquista dele mesmo. Queria que o Daniel também fosse assim, mas, se continuar nessa situação, ele não consegue emprego de nada que dê dinheiro de verdade. Vai viver encostado dando trabalho aqui em casa.
                Já o André, filho do Anderson e da Lúcia, virou um playboy da pior espécie. Todo fortinho e cheio de si, ele fala alto chamando a atenção e bebendo muito. O cara tem 32 anos e nunca trabalhou nem 30 horas numa semana na vida. Só fez estágio. Fez uma faculdade qualquer e fica mamando na teta dos pais até hoje. O engraçado é que os pais sempre foram bem certinhos e acabaram criando um vagabundo. A vida tem dessas coisas: às vezes sai uma jaca podre de um pé de caju.
                Agora o pior de todos foi o William, filho do Roger com a Ana. Ela tinha um problema que a impedia de ter filhos. O único caminho então é adotar, eles pensaram. Só que o moleque é uma bomba. Adotaram quando tinha 5 anos. De lá pra cá a vida deles virou um inferno! Na infância o menino só arrumava confusão; na adolescência começou a mexer com droga e com uma turminha da pesada – tiveram até de ir na delegacia buscar o garoto; e agora, na casa dos vinte e tantos anos resolveu virar travesti. Isso já tem um tempo. Uma vergonha completa. Só a dona Aurora e a Giovana falam com ele, que inventou de querer ser chamado de Alana. Onde já se viu um negócio desses? Para mim e para o resto da família ele vai continuar sendo o William mesmo. Já até tentaram tratar o menino, mas nunca deu certo com nenhum psicólogo ou psiquiatra. Não tem medicamento ou terapia que dê jeito.
                O Pedro e a Paula, filhos do Renato e da Tereza, vivem meio brigados, mas na hora de ficar em família nem parece que eles se detestam. A Paula está toda feliz porque vai casar com um americano, um tal de Bryan que veio estudar doutorado na UnB. Não sei o que ele veio fazer aqui. Eu, se fosse ele, ficava por lá mesmo. Agora o Renato e a Tereza que estão vivendo um verdadeiro caos. Dona Aurora me contou que os dois chegaram a passar uma semana separados, mas decidiram reatar. Isso foi um pouco depois do carnaval. É uma relação que mais sobrevive do que vive. O desfecho dessa história me intriga, porque eu sei que o Henrique ainda sente alguma coisa pela Tereza. Se ela der chance a ele, tenho certeza de que ele vai em cima. E eu aqui sofrendo com o destino.
                O seu Agenor não demonstrou, mas eu sei que ele sentiu a morte do Reginaldo. A pessoa, com o tempo, já viu muita coisa ruim e tem de aprender a disfarçar o seu coração em certas convenções sociais.
                Uma parte boa foi rever a Conceição, empregada da minha sogra. É tão bom falar com ela. Aquilo sim que é pessoa eficiente e séria. Nunca vou conseguir fazer a feijoada do mesmo jeito que ela faz, por mais que eu me esforce. Pena que a vida dela é muito complicada, principalmente pela relação que ela tem com a filha. Mas é impressionante que nada disso tira  a força dela de lidar com os problemas da vida. O negócio é seguir em frente e ir vivendo, apesar da dor da ausência continuar no coração.